Que CAUSAS?
Vinho e Vinhas do Alto Alentejo (Borba e Estremoz)
Desde tempos idos, o Alto Alentejo tem sido uma região de produção de vinho. Vinhas eram já plantadas aqui pelos Romanos, conhecidos apreciadores do vinho. O Terroir nos anos recentes e o mercado mundial fortemente competitivo exigiram um trabalho árduo de evolução e de mudança, sempre mantendo seguros e cuidados as castas da região, as raízes culturais e algumas técnicas de base. A qualidade é obrigatória, desde manter um olhar atento nas vinhas durante o ano até obter um vinho excelente na garrafa e comercializá-lo no mercado global. Local não é suficiente, de forma alguma e doravante. Mas para além de tudo isto, há uma exigência e uma oportunidade novas para os produtores de uva e adegas – o turismo local, trazendo novas pessoas de regiões locais e do mundo. Se for de uma forma sustentada, o vinho e o turismo local têm um caminho muito frutífero à sua frente, na região. A geografia, o clima, a flora e até mesmo a luz são as da Califórnia, da Provença ou da Toscânia. E as questões à volta do vinho e do turismo são as mesmas, entre as suas próprias e únicas culturas locais.
CAUSA: ajudar na evolução dos produtos do vinho, adegas e vinhas, a serem ligados a turismo local e cultura de forma sustentada, para um conceito/produto mais vasto, como um todo; mostrar as diferentes formas de manter e cuidar da vinha e de produzir o vinho; fotograficamente registar as pessoas no trabalho, a paisagem, a luz única, as geometrias e as texturas.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
Os caminhos antigos do Caramulo (Souto Bom – Caramulo)
Tal como a vida na expressão de uma pessoa se vai lendo nas suas rugas (ou na falta delas!), a história de um lugar também se lê nos caminhos que nele existem. Desde os caminhos romanos entre as povoações, também na Serra do Caramulo, até aos caminhos menos antigos por entre as leiras de campos cultivados, a rede de caminhos nesta zona é impressionantemente rica e muito bem mantida. E esta história e rede mistura-se com a modernidade dos novos geradores eólicos (moinhos!), com a antiguidade dos moinhos de água antigos, ou mesmo com a modernidade dos antigos moinhos recuperados no local, juntando-se com a educação. Voltando aos caminhos, são as gentes locais que os vão mantendo, para trabalhar a vinha, o milho, o trigo das suas terras. Se há sulcos bem cavados nos caminhos, fruto dos carros de bois que ali circularam durante séculos, há que os manter a descoberto.
CAUSA: mostrar a rede de caminhos de vários tipos, na região, em conjunção com os seus hábitos rurais; ajudar a divulgar e a preservar os caminhos e esses hábitos; registar fotograficamente o entorno paisagístico, em conjunção com a floresta predominante de carvalhos e castanheiros.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
As cabras do Caramulo (Caselho – Caramulo)
Não é só na Heidi que temos as cabras bonitas, brancas e a dar bom leite (para quem for dessa geração, sabe do que falamos). Na Serra do Caramulo o pastoreio tem estado a ser protegido e recuperado, vendo-se várias variedades de cabras. Desde as pessoas que as levam ao monte, como a muito simpática Sra. Maria dos Anjos, à Confraria do Cabrito e da Serra do Caramulo, muitos fazem pela manutenção, negócio e consumo da boa carne caprina. Desde o cabrito no forno até à Chanfana, a gastronomia das Beiras a essas pessoas se deve. E é impressionante ver, ouvir e sentir a energia que destes animais os próprios criadores nos parecem reflectir, com excelente humor e receptividade para com quem aprecia os animais.
CAUSA: difundir os esforços recentes na criação e comercialização do gado caprino, conjuntamente com o tecido social a eles ligados; ajudar a divulgar e proteger a criação do gado caprino, segundo os melhores hábitos de produção e de alimentação local; registar fotograficamente os animais e as pessoas, no seu entorno rural, cultural e social.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
A Cerâmica Negra de Molelos (Molelos – Caramulo)
Afinal, o barro em Molelos não é negro! Com a sabedoria de anos, são os oleiros que o transformam, não só na forma, como na cor. O Sr. António Marques é um de entre outros oleiros que, com muito orgulho e suas próprias técnicas, ajudaram e ajudam a fazer voltar-se a estabelecer a Cerâmica de Molelos. Permanece fiel à produção manual das peças, fazendo parecer confundir a pele das suas mãos com o barro, o pano e a água em cima da roda (a única máquina que tem na oficina). Mas consegue dar-lhe uns ares de modernidade, nas formas finais. A maneira como faz os desenhos parece demasiadamente simples para nós pensarmos em pegar numa peça e fazer igual. Está habituado a muitas visitas, de dentro e de fora, na sua oficina pequena mas muito produtiva. Explica os processos, desde a antiga suenga até ao forno que tem na sua olaria. O barro pode ser de lá ou de outras regiões do país, mas são as técnicas, a cor, o brilho e as formas finais que fazem a cerâmica de Molelos.
CAUSA: divulgar a arte da olaria manual, focando na sua produção até ao forno; ajudar a divulgar e proteger a olaria específica de um local, também incentivando as pessoas envolvidas; registar fotograficamente quem os faz, na acção, nos movimentos, na luz do local de trabalho e nas expressões.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
A Cestaria, de mãos e dentes (Nandufe – Caramulo)
Em Nandufe, ao lado de Tondela, o Sr. João orgulhosamente mostra e ensina como há 70 anos vai fazendo os seus cestos. Não usa máquinas. Se usa ferramentas de ferro e madeira, outras vai-as fazendo enquanto produz mais um cesto. As outras tem-nas nas mãos e nos dentes. Pega na madeira da infame Acácia Austrália, encontrando uma boa utilidade para a árvore. Prepara-a previamente para as curvas e contra curvas de um cesto, e corta-a em lascas finas e rectas. À média luz da sua oficina, sentado de frente para a porta, recebe com simpatia e conversa o visitante interessado na cestaria. Já deu formação a grupos, principalmente de mulheres, mas sabe que se anda por aí a aprender pelos financiamentos. Vai às feiras de artesanato da região para mostrar o que ainda se faz e como se fez há 70 anos. É o único, na zona, a fazer os cestos. Tem uma memória invejável. E os seus cestos, cheios de sabedoria, perdurarão até quando?
CAUSA: divulgar a arte da cestaria, seguindo velhas técnicas que se estão a perder, centrando na componente humana no pano de fundo; fomentar a divulgação, protecção e ensino destas técnicas, incentivando as pessoas envolvidas; registar fotograficamente quem os faz, em acção, nos movimentos, na luz do local de trabalho e nas expressões.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
Os Prados do Gerês (Terras de Bouro – Gerês)
O Gerês não é só o “Parque”, o musgo, as grandes árvores, as águas minerais, as grandes albufeiras ou a boa carne barrosã. É um conjunto cultural, social, antropológico e histórico rico e complexo, de há séculos. Parte dessas raízes passa pelo pastoreio, de vacas ou cabras, fazendo uso das Serras para o melhor alimento. De facto, essas próprias culturas têm ajudado na manutenção das terras, da flora e fauna da região, constituindo uma componente de vida importante nos ecossistemas destas Serras. Para além das zonas onde a maioria dos turistas acedem, há outras zonas onde aqueles pastores andam todos os dias, todas as estações do ano, por caminhos de cuja manutenção e marcação são mestres. Nessas zonas há prados preparados e protegidos para a recolha dos animais, principalmente das vacas. Muitos têm uma cabana onde os pastores pernoitam e cozinham, seguindo a prática da vezeira. Muitos desses prados são também acompanhados de grandes árvores, principalmente carvalhos, com idades que equiparam as idades destas culturas, com vários séculos.
CAUSA: divulgar a cultura e tecido social da região, focando na vezeira e no modo como o gado é gerido e tratado; convidar ao maior conhecimento dos visitantes sobre os costumes locais, para além das belezas paisagísticas da região; registar fotograficamente os prados, as suas estruturas, texturas, geometrias e materiais de construção.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
O Garrano (Terras de Bouro – Gerês)
Como uma das três raças nacionais, com o Lusitano e o Sorraia, o Garrano é um cavalo a proteger. De sangue Celta, ter-se-á feito com ele a Reconquista. Actualmente, não são realmente selvagens os exemplares que andam nas serras do norte de Portugal, tendo donos e pertencendo a determinadas zonas/aldeias. No monte, ou na montanha, os Garranos podem só com muita calma e tempo deixar-nos aproximar, quebrando os seus dias de vida selvagem. Muitas vezes se vê bem qual o macho que protege o restante grupo, sendo o mais mexido e mais alerta. Andam lá por cima, livres, porque os seus donos ainda beneficiam dos subsídios anuais para os ter. Nessa vida errante, protegem-se dos lobos fazendo uma roda, com as cabeças para dentro e as patas traseiras para fora, à espera do lobo que não tenha medo de um coice. Nas terras baixas, nos prados privados ou em zonas de criação, como no Centro de Interpretação do Garrano em Covide, vê-se que os cavalos querem mexer, querem fazer uso da sua força. Ou no picadeiro ou com o atrelado, andam às ordens de quem sabe, os protege e os ajuda a divulgar. É um cavalo forte e trabalhador. Os animais recebem-nos com emoção que se vê nos seus olhos, por entre festas ou tentativas de provar a nossa roupa. O pelo é forte, duro e áspero, contrastando com uma personalidade simpática, dócil e bem humorada.
CAUSA: divulgar a raça do Garrano, fomentando os esforços que local, regional, nacional e internacionalmente se estão a desenvolver; mostrar a utilidade da raça; fomentar a ligação entre visitantes e animais; registar fotograficamente as características do animal, as suas expressões, reacções e proporções do corpo.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
Os Moinhos de Santa Isabel do Monte (Terras de Bouro – Gerês)
Um pouco desviado das rotas de trânsito e massas, acima dos vales à volta de Terras de Bouro, há uma zona em planalto onde a agricultura, o trabalho das terras e as relações sociais nos pareceram singulares (e de facto nos foram comunicadas como tal, pelas gentes locais). É uma paisagem com verdes que lembram outras paragens do norte da Europa. Há muita água e zonas de bosque antigo de carvalhos, vidoeiro e castanheiros. Há uma rede e entendimento sociais que garantem a gestão da água com métodos de rega antigos mas bem organizados (rega de lima), por entre os socalcos bem trabalhados e áreas de vários proprietários. Mais de duas dezenas de moinhos de água tradicionais foram restaurados, mantendo a traça original. Nos ribeiros da Ponte e de Rebordochão, limpos de vegetação que estava incontrolada havia anos, vários poderão ser agora visitados e vistos a trabalhar. Há percursos pedestres preparados pela Câmara Municipal de Terras de Bouro em conjunto com a população local (Trilho dos Moinhos). Pareceram-nos bem preparados, conseguindo uma combinação saudável entre o entorno de bosque e o agrícola, que também julgamos ser importante preservar.
CAUSA: divulgar o trabalho e esforço postos pela Câmara Municipal de Terras de Bouro, em conjunto com os esforços d a população local; contactar com a cultura já antiga dos moinhos e da preparação da farinha, para o pão e broa do local; incentivar a comunicação entre visitantes e os habitantes locais, numa relação de conhecimento e de respeito mútuos; registar fotograficamente a flora, a agricultura, a sociologia e a ecologia da zona, assim como a arquitectura dos próprios moinhos.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
A Chegada da Rês (Terras de Bouro – Gerês)
Todos os dias, com tempestade ou não, sai uma pessoa pela manhã e volta ao final da tarde com as cabras da povoação – na zona designa-se de “rês”. Há uma organização cuidada e bem acordada entre todos, sentindo cada um(a) a responsabilidade de levar para a Serra esses bens preciosos de todos, levando as cabras a boas pastagens, protegendo-as da intempérie, dos lobos e dos javalis. Seguem a vez, estabelecendo o que se chama “a vezeira”. Encontrámos pastores com cabelos brancos e outros bem jovens, com cigarro bem aproveitado na mão; são homens e mulheres rijos, sem medos de estar sozinhos, mas com as cabras da comunidade. Talvez porque sabem que, lá na Serra, estão com toda a povoação nos seus ombros. Sentimo-nos como que à parte de uma estrutura social forte e historicamente sólida, da qual fomos puros observadores e admiradores. Víamos as cabras passarem, fruto dos costumes que o tempo traz de longe. Acontece todos os dias, enquanto “aqui em baixo” andamos nos autocarros ou voltamos do trabalho. Fomos recebidos com transparente simpatia, também porque soubemos respeitar as gentes e a rês, sem provocar sustos aos animais. Na aldeia, as casas de pedra guardam as famílias e as cabras de cada uma. Ver a rês voltar pareceu-nos incrível, assim como ver como as cabras sabem muito bem a que cantos pertencem, sem ajuda dos habitantes. Memorável e único!
CAUSA: divulgar e ajudar a preservar a vezeira, como peça social fundamental nas povoações da zona, contactando com essa cultura e fonte de rendimento; incentivar a comunicação entre visitantes e os habitantes locais, numa relação de conhecimento e de respeito mútuos; ajudar a valorizar estes costumes, entre os visitantes e também entre os habitantes locais; registo fotográfico da vezeira, das pessoas que a suportam, das casas e aldeias locais.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
A Geira Romana (Terras de Bouro – Gerês)
Há um caminho, feito com o muito conhecimento e a força dos romanos, criado na segunda metade do século I d.C. entre então Bracara Augusta (hoje Braga) e Asturica Augusta (hoje Astorga, na Província de Léon, Espanha). Se hoje muitos troços ainda existem, com as enormes pedras ainda bem assentes no solo e os marcos miliários para testemunhar a força, é pelo bom conhecimento de construção civil que os romanos tinham. Até há pouco, na zona do Gerês, o troço mais conhecido passava pelo vale do Rio Homem, desde a Mata de Albergaria até à povoação de Campo do Gerês (em parte submerso pela barragem). Na direcção de Braga existe agora uma grande secção bem preparada para caminhantes, esplêndida: grande parte da via romana é plana, seguindo por zonas de densa floresta e ricas paisagens rurais. Há castanheiros dignos de especial respeito. Olhando para cima, as leiras das povoações vizinhas mostram o trabalho de há séculos, ainda muito activo nos dias de hoje. Olhando para baixo, a variedade de cogumelos não deixa que o olhar atento se perca demasiado tempo no horizonte, encontrando-se outras plantas do Gerês. Há também indicações ao longo do caminho, embora necessitem de ser melhor mantidas para cumprirem o objectivo, da identificação e uso dessas plantas.
CAUSA: divulgar a Geira Romana, como elemento histórico do passado, mas também do presente para uso das populações locais e dos visitantes que gostem de caminhar e observar; incentivar a manutenção e limpeza da via romana, para o uso do espaço com respeito, incluindo a divulgação das plantas locais; registo fotográfico da Geira, das paisagens de floresta e rurais da zona.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
O Ciclo do Pão – desde a espiga à broa quentinha! (Terras de Bouro – Gerês)
No Cantinho do Antigamente, em Covide, também se faz trabalho na preparação da farinha e de boa broa caseira. Desde as maçarocas, batendo o milho, até à mesa, as broas preparam-se quentinhas e boas. Cada participante ajuda desde o início, participando activamente. Cada pessoa vai ao moinho de água no local, arranjado e a funcionar com todo o ritmo, com o seu saquinho pronto a colocar a farinha. “Rrrrrr…Rrrrrr….Rrrrrr” roda a mó, alimentada pela levada de água que vem dos montes. Sente-se nas mãos a farinha, fria e muito fina, enchendo-se o saco. Volta-se à cozinha, onde a simpatia das cozinheiras amassa a mistura com as suas fortes mãos. O forno já está quente, para depois de uns 20 minutos saírem broas belíssimas com presunto por cima. Uhm…e uma sopinha?
CAUSA: divulgar os processos tradicionais de preparação do pão, tomando contacto com as ferramentas, moinhos de água e estruturas da zona; incentivar a manutenção dos moinhos, fornos e dos processos de fabrico tradicionais na zona; registo fotográfico das estruturas, pessoas e trabalhos ligados ao ciclo do pão.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
A Povoação de Campo do Gerês (Terras de Bouro – Gerês)
Campo do Gerês, localmente conhecida por “Campo”, é a povoação imediatamente vizinha da barragem de Vilarinho das Furnas. Tem solenes vistas para a Serra Amarela, para o maciço de Pé de Cabril, encabeçado pelas grandes paredes de rocha do Sarilhão, assim como para a Calcedónia e os colos da Junceda. Ao chegar, há uma boa zona de linhas de água transparente, com bosques de carvalho negral e de singelas bétulas, depois de passar o excelente Museu das Portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês. A povoação terá uns 200 habitantes, mas diríamos que muitos não vivem a tempo inteiro na povoação. Há muitas casas arranjadas e outras a pedir arranjo. Muitas à venda. Descobrimos três cafés e uma mercearia. Os seu habitantes trabalham na agricultura, vendo-se o fruto do seu trabalho nas terras cuidadas das redondezas. Há também muitas empresas com dinâmica especial na zona, na área do Turismo e Actividades de Ar Livre, com cavalos, escalada, procura de cogumelos ou passeios pelos montes. As suas gentes mostram uma dinâmica física e espiritual que nos parece invulgar e positiva.
CAUSA: divulgar as várias facetas de uma aldeia serrana actual, nas suas componentes arquitectónicas, sociais e humanas, com os seus problemas e também as suas soluções; incentivar o comércio local, com circulação de visitantes interessados na povoação e nas suas gentes; registo fotográfico de pontos de interesse arquitectónico, social e humano.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
As Ruínas Submersas de Vilarinho da Furna (Terras de Bouro – Gerês)
Vilarinho da Furna foi uma aldeia importante na história da segunda metade do século XX, no norte de Portugal, com a sua população forte. Contra o regime de Salazar foi um bastião social e politicamente importante, tendo sido exemplo da luta das gentes e da participação comunitariamente organizada. A defesa da população contra a construção da barragem, que obrigou ao desalojar da aldeia em 1971, é localmente dita ter sido exasperante contra o regime de então. De facto, diz-se que nem tecnicamente as linhas de água naturais justificariam uma barragem, tendo o governo prosseguido a construção para constituir a destruição da força política da aldeia. Nos dias de hoje, as suas ruas, ruínas de casas, muros e esqueletos de árvores emergem quando a barragem está baixa. Quase se pode imaginar as eiras, que estão nas memórias vivas de muitos habitantes da aldeia de Campo do Gerês. Também impressiona ver, acima da zona de casas, os vestígios do trabalho nas antigas leiras e os enormes carvalhos que observaram tudo, ficando salvos acima da água. Para aprender mais sobre Vilarinho da Furna, consideramos que o Museu do Parque, na entrada de Campo do Gerês, é obrigatório. As fotografias, os textos e o modo como a exposição está formada parecem-nos excelentes!
CAUSA: divulgar a aldeia de Vilarinho da Furna, pelo seu passado e presente; incentivar a visitação e observação do local; registo fotográfico de pontos de interesse arquitectónico, social, humano e mesmo paisagístico da zona.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
A Mata de Albergaria (Terras de Bouro – Gerês)
Bela floresta, belas paragens, bons ares e puras águas! Excelentes cores, em qualquer estação do ano. A “nossa”, entenda-se da Humanidade, Mata de Albergaria é um jóia da natureza dentro da joia que é a Zona do Gerês. Mas temos que a cuidar e respeitar, para assim se manter ou melhorar. É uma zona em que a circulação automóvel, ao contrário de outras zonas do género no mundo, é permitida sem restrições. Há, de facto, muitos sinais a proibir a paragem e estacionamento na zona, mas não há fiscalização suficiente. São muitas as pessoas que se entusiasmam com as belezas da Mata, mas não para caminhar por ela, mas para “usar e deitar fora”, tal como fazem com o seu lixo… Os carvalhos de vários tipos, as faias, os abetos, os cedros, o Feto do Gerês, e muito mais contribuem para uma diversidade de vida incrível. O Rio Homem explode com a sua força, por entre os penedos. Acima, no leito do rio está um dos vales glaciares mais impressionantes de Portugal. Para outros lados, vêem-se grandes escarpas e cumes. Há que ir a pé, cruzando as pontes, sentindo bem o chão e usando todos os sentidos!
CAUSA: divulgar a unicidade da Mata de Albergaria, na sua diversidade e fragilidade; incentivar a visitação e observação do local, respeitando na totalidade o meio; fomentar a relação entre visitantes e a gestão do Parque Nacional, numa relação de conhecimento, informação e de respeito mútuos; registo fotográfico da natureza e paisagem da zona.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
Desfolhada do Milho e Magusto, em Covide (Terras de Bouro – Gerês)
O milho da zona, de sementes nativas, puras e antigas, cresce até Novembro. O sol e a secura de São Martinho garantem ser boa altura para se fazer a desfolhada, separando as maçarocas da palha. As maçarocas vão para o espigueiro e a palha é preparada para as vacas. Reúnem-se várias pessoas, familiares ou amigos, com música ao sol quente do dia. Os homens tocam acordeão ou tambor. As mulheres cantam com letras divertidas. Há sorrisos e trabalho. Outros observam o corrupio. No final, limpa-se a eira. Há castanhas assadas, saborosas e quentes. Há água e não só! São prémios que as árvores e a vinha trouxe ao vale, depois do ano terminado. Fala-se da vida, das coisas fáceis e das coisas difíceis. Cai o frio da noite, aparecendo Vénus no meio do azul frio de Inverno. Sem milho não há este dia e sem este dia não há milho. Sem estas gentes não há nada.
CAUSA: divulgar os hábitos e actividades tradicionais agrícolas da zona, a sua envolvente cultural e social forte; intercâmbio de experiências de vida diferentes, com a comunicação directa entre visitantes e pessoas do local; retorno ao contacto com estas actividades, muitas vezes esquecidas na infância da população mais urbana; fomento do crescimento do turismo sustentado na zona; registo fotográfico das particularidades culturais e sociais locais.
Nota: Este texto reflecte unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.
