Terras do Gerês

As Vezeiras (Terras de Bouro – Gerês)

Por estas terras de Parque Nacional e bem mais além, a Montanha e alguns campos são geridos e oficialmente reconhecidos como território comunitário, sendo património das gentes dos lugares que aqui habitam. Para ajudar a relativizar as coisas, saiba-se que apenas 7% do Parque Nacional pertence ao Estado, sendo os outros 93% comunitário ou privado. Quiseram alguns que lhes chamássemos “baldios”, como se estivessem ao abandono, às mãos de ninguém. Não é verdade, nem agora nem há séculos. Independentemente da gestão por parte das entidades estatais, ou a falta dela, ao longo dos séculos há hábitos ancestrais que sem têm mantido fortes e funcionais, na ligação estreita destas gentes com as suas terras. As Vezeiras, que hoje se mantêm na versão das vacas ou cabras, são não só um expoente enorme da ligação à Montanha, como aos seus animais e fauna. São também uma forma regulamentada, pelas gentes locais e não pelos estadistas, de gestão e controlo do património – de governança. Nisto, o conhecimento dos vezeireiros, transmitido às suas famílias, é um valor intangível singular, aqui e no mundo.

CAUSA: divulgar o que são as vezeiras, na vertente humana, social, cultural,  natural e de governança; fomentar o contacto entre as gentes das vezeiras e a população urbana; valorizar a vezeira como um património imperdível no panorama mundial.

Os Trilhos Seculares (Terras de Bouro – Gerês)

Em estreita relação com as Vezeiras, e por questões muito práticas como levar o gado ou a rês e vigiá-lo em terreno duro de Montanha, as pessoas locais desde há séculos que foram criando uma rede impressionante de caminhos “lá por cima”. É uma rede impressionante em variados aspectos: pela abrangência de território (por todas estas Serras), pela segurança que oferecem (evitando as zonas mais perigosas e mesmo fatais), pelo seguimento que permitem ao longo de kilómetros, e pela manutenção que nestes séculos se tem vindo sempre a manter (pelas Vezeiras). Ainda, se por um lado as pessoas locais precisam destes caminhos para manter um dos seus pilares de vida (a Vezeira), o Parque Nacional não consegue nem parece querer manter ou divulgar estes caminhos, sendo este um património humano e geográfico tão útil para a gestão do território.

CAUSA: informar o público em geral sobre estes caminhos, como são mantidos e marcados, assim como o porquê; colaborar no registo e divulgação, também por parte de outros intervenientes, deste património; ajudar os locais na valorização do seu próprio património humano e geográfico.

Festas e Romarias – St. António Mixões da Serra (Vila Verde – Gerês)

Há coisas que nos fazem abrir a boca, de espanto e admiração. A Festa de St. António Mixões da Serra é uma delas, seja a primeira vez ou a n-ésima que se veja. O contexto é justamente a ligação das pessoas locais à Natureza, especialmente aos seus animais (vacas, bois, cães, gatos, galinhas…), assim como a religião e fé. Todos estes são valores e pilares que sustentam grande parte destas populações. St. António é o padroeiro dos animais, pelo qual há romarias e peregrinações ao local, Mixões da Serra. A bênção do gado, na relação religião-vida das pessoas, é um momento misto de solenidade e de festa, em que qualquer visitante se vê embrenhado com respeito e admiração. E, ao mesmo tempo, a simpatia e abertura de todos ao visitante respeitoso é marcante, no meio de bolos, enchidos, vinho e…muitos animais, grandes e pequenos!

CAUSA: divulgar esta festa e cerimónia, fruto da relação com o sobre-natural e com o natural; fomentar o contacto respeitoso por parte do visitante; fotografar os hábitos e as gentes nestes processos, com os cuidados e ética necessários no registo de pessoas.

A Vida e a Morte das Nossas Árvores (Terras de Bouro – Gerês)

Hoje, no início do século XXI, a floresta destas terras já não é o que era até ao início dos anos 70, altura em que o território foi controlado pela Instituição Estatal que é o Parque Nacional da Peneda Gerês (PNPG), sobrepondo-se aos direitos dos seus proprietários e ao anterior trabalho dos Serviços Florestais. Desde então, ao abrigo de Leis sem conhecimento, sem sentido social e humano, de cima para baixo (à velha maneira da ditadura que ainda nos assombra) e mesmo sem sentido global e em real favor da Natureza, as gentes locais foram forçadas a mudar os seus hábitos. Foram proibidas de agir, de limpar as suas próprias terras, de ir buscar lenha, de levar as suas cabras onde até então havia séculos já o faziam. Já haviam demonstrado serem responsáveis por um equilíbrio saudável com a Natureza, até em conjunto com os Serviços Florestais. Entretanto, hoje, morrem as nossas árvores, desde então votadas ao abandono, às heras que invadem os solos e aos fogos. O PNPG não faz a limpeza devida dos matos,  os troncos queimados e doentes não são sequer retirados pelo PNPG, não se vê repovoamento, ao contrário do que acontecia antes, quando tudo era sujeito ao controlo empírico mas sabedor das pessoas locais. Isto acontece hoje e ameaça agravar-se, ainda contra as vontades das gentes locais, que se mantêm activas nos terrenos onde podem trabalhar livremente. Hoje, no início do século XXI, a Instituição Estatal que é o PNPG ainda parece querer mostrar repetir os mesmos hábitos, mesmo contra as próprias guias que a Comissão Europeia delineou para a procura da Biodiversidade – é fundamental fazê-lo com ligação às culturas e gentes locais, pelo seu longo saber e terem até recentemente sido de facto quem sabia proteger o meio vivo.
Se aquilo que era o equilíbrio, as árvores e a floresta do Gerês até aos anos 70 foi o que atraiu para o local a Instituição Estatal e os políticos que constituem o PNPG, tais eram fruto do longo trabalho e saber das suas gentes e também dos anteriores Serviços Florestais. Até hoje, no início do século XXI e ainda querendo pôr de lado as gentes locais e aparentemente até agir contra elas, a instituição parece querer sempre pegar por si em tal jóia, para ameaçar vermos ser irremediavelmente perdida.

CAUSA: divulgar as questões de falta de planeamento sustentado imposto na zona, tendo a oportunidade de o fazer com as populações locais; sentir e observar as zonas queimadas dentro do Parque; testemunhar como a floresta está de facto mais viva e melhor cuidada pelas gentes, junto às povoações e fora do Parque; fotografar a Vida e a Morte das sensíveis e inocentes árvores.

Os Prados do Gerês (Terras de Bouro – Gerês)

O Gerês não é só o “Parque”, o musgo, as grandes árvores, as águas minerais, as grandes albufeiras ou a boa carne barrosã. É um conjunto cultural, social, antropológico e histórico rico e complexo, de há séculos. Parte dessas raízes passa pelo pastoreio, de vacas ou cabras, fazendo uso das Serras para o melhor alimento. De facto, essas próprias culturas têm ajudado na manutenção das terras, da flora e fauna da região, constituindo uma componente de vida importante nos ecossistemas destas Serras. Para além das zonas onde a maioria dos turistas acedem, há outras zonas onde aqueles pastores andam todos os dias, todas as estações do ano, por caminhos de cuja manutenção e marcação são mestres. Nessas zonas há prados preparados e protegidos para a recolha dos animais, principalmente das vacas. Muitos têm uma cabana onde os pastores pernoitam e cozinham, seguindo a prática da vezeira. Muitos desses prados são também acompanhados de grandes árvores, principalmente carvalhos, com idades que equiparam as idades destas culturas, com vários séculos.

CAUSA: divulgar a cultura e tecido social da região, focando na vezeira e no modo como o gado é gerido e tratado; convidar ao maior conhecimento dos visitantes sobre os costumes locais, para além das belezas paisagísticas da região; registar fotograficamente os prados, as suas estruturas, texturas, geometrias e materiais de construção.

O Garrano (Terras de Bouro – Gerês)

Como uma das três raças nacionais, com o Lusitano e o Sorraia, o Garrano é um cavalo a proteger. De sangue Celta, ter-se-á feito com ele a Reconquista. Actualmente, não são realmente selvagens os exemplares que andam nas serras do norte de Portugal, tendo donos e pertencendo a determinadas zonas/aldeias. No monte, ou na montanha, os Garranos podem só com muita calma e tempo deixar-nos aproximar, quebrando os seus dias de vida selvagem. Muitas vezes se vê bem qual o macho que protege o restante grupo, sendo o mais mexido e mais alerta. Andam lá por cima, livres, porque os seus donos ainda beneficiam dos subsídios anuais para os ter. Nessa vida errante, protegem-se dos lobos fazendo uma roda, com as cabeças para dentro e as patas traseiras para fora, à espera do lobo que não tenha medo de um coice. Nas terras baixas, nos prados privados ou em zonas de criação, como no Centro de Interpretação do Garrano em Covide, vê-se que os cavalos querem mexer, querem fazer uso da sua força. Ou no picadeiro ou com o atrelado, andam às ordens de quem sabe, os protege e os ajuda a divulgar. É um cavalo forte e trabalhador. Os animais recebem-nos com emoção que se vê nos seus olhos, por entre festas ou tentativas de provar a nossa roupa. O pelo é forte, duro e áspero, contrastando com uma personalidade simpática, dócil e bem humorada.

CAUSA: divulgar a raça do Garrano, fomentando os esforços que local, regional, nacional e internacionalmente se estão a desenvolver; mostrar a utilidade da raça; fomentar a ligação entre visitantes e animais; registar fotograficamente as características do animal, as suas expressões, reacções e proporções do corpo.

Os Moinhos de Santa Isabel do Monte (Terras de Bouro – Gerês)

Um pouco desviado das rotas de trânsito e massas, acima dos vales à volta de Terras de Bouro, há uma zona em planalto onde a agricultura, o trabalho das terras e as relações sociais nos pareceram singulares (e de facto nos foram comunicadas como tal, pelas gentes locais). É uma paisagem com verdes que lembram outras paragens do norte da Europa. Há muita água e zonas de bosque antigo de carvalhos, vidoeiro e castanheiros. Há uma rede e entendimento sociais que garantem a gestão da água com métodos de rega antigos mas bem organizados (rega de lima), por entre os socalcos bem trabalhados e áreas de vários proprietários. Mais de duas dezenas de moinhos de água tradicionais foram restaurados, mantendo a traça original. Nos ribeiros da Ponte e de Rebordochão, limpos de vegetação que estava incontrolada havia anos, vários poderão ser agora visitados e vistos a trabalhar. Há percursos pedestres preparados pela Câmara Municipal de Terras de Bouro em conjunto com a população local (Trilho dos Moinhos). Pareceram-nos bem preparados, conseguindo uma combinação saudável entre o entorno de bosque e o agrícola, que também julgamos ser importante preservar.

CAUSA: divulgar o trabalho e esforço postos pela Câmara Municipal de Terras de Bouro, em conjunto com os esforços d a população local; contactar com a cultura já antiga dos moinhos e da preparação da farinha, para o pão e broa do local; incentivar a comunicação entre visitantes e os habitantes locais, numa relação de conhecimento e de respeito mútuos; registar fotograficamente a flora, a agricultura, a sociologia e a ecologia da zona, assim como a arquitectura dos próprios moinhos.

A Chegada da Rês (Terras de Bouro – Gerês)

Todos os dias, com tempestade ou não, sai uma pessoa pela manhã e volta ao final da tarde com as cabras da povoação – na zona designa-se de “rês”. Há uma organização cuidada e bem acordada entre todos, sentindo cada um(a) a responsabilidade de levar para a Serra esses bens preciosos de todos, levando as cabras a boas pastagens, protegendo-as da intempérie, dos lobos e dos javalis. Seguem a vez, estabelecendo o que se chama “a vezeira”. Encontrámos pastores com cabelos brancos e outros bem jovens, com cigarro bem aproveitado na mão; são homens e mulheres rijos, sem medos de estar sozinhos, mas com as cabras da comunidade. Talvez porque sabem que, lá na Serra, estão com toda a povoação nos seus ombros. Sentimo-nos como que à parte de uma estrutura social forte e historicamente sólida, da qual fomos puros observadores e admiradores. Víamos as cabras passarem, fruto dos costumes que o tempo traz de longe. Acontece todos os dias, enquanto “aqui em baixo” andamos nos autocarros ou voltamos do trabalho. Fomos recebidos com transparente simpatia, também porque soubemos respeitar as gentes e a rês, sem provocar sustos aos animais. Na aldeia, as casas de pedra guardam as famílias e as cabras de cada uma. Ver a rês voltar pareceu-nos incrível, assim como ver como as cabras sabem muito bem a que cantos pertencem, sem ajuda dos habitantes. Memorável e único!

CAUSA: divulgar e ajudar a preservar a vezeira, como peça social fundamental nas povoações da zona, contactando com essa cultura e fonte de rendimento; incentivar a comunicação entre visitantes e os habitantes locais, numa relação de conhecimento e de respeito mútuos; ajudar a valorizar estes costumes, entre os visitantes e também entre os habitantes locais; registo fotográfico da vezeira, das pessoas que a suportam, das casas e aldeias locais.

A Geira Romana (Terras de Bouro – Gerês)

Há um caminho, feito com o muito conhecimento e a força dos romanos, criado na segunda metade do século I d.C. entre então Bracara Augusta (hoje Braga) e Asturica Augusta (hoje Astorga, na Província de Léon, Espanha). Se hoje muitos troços ainda existem, com as enormes pedras ainda bem assentes no solo e os marcos miliários para testemunhar a força, é pelo bom conhecimento de construção civil que os romanos tinham. Até há pouco, na zona do Gerês, o troço mais conhecido passava pelo vale do Rio Homem, desde a Mata de Albergaria até à povoação de Campo do Gerês (em parte submerso pela barragem). Na direcção de Braga existe agora uma grande secção bem preparada para caminhantes, esplêndida: grande parte da via romana é plana, seguindo por zonas de densa floresta e ricas paisagens rurais. Há castanheiros dignos de especial respeito. Olhando para cima, as leiras das povoações vizinhas mostram o trabalho de há séculos, ainda muito activo nos dias de hoje. Olhando para baixo, a variedade de cogumelos não deixa que o olhar atento se perca demasiado tempo no horizonte, encontrando-se outras plantas do Gerês. Há também indicações ao longo do caminho, embora necessitem de ser melhor mantidas para cumprirem o objectivo, da identificação e uso dessas plantas.

CAUSA: divulgar a Geira Romana, como elemento histórico do passado, mas também do presente para uso das populações locais e dos visitantes que gostem de caminhar e observar; incentivar a manutenção e limpeza da via romana, para o uso do espaço com respeito, incluindo a divulgação das plantas locais; registo fotográfico da Geira, das paisagens de floresta e rurais da zona.

O Ciclo do Pão – desde a espiga à broa quentinha! (Terras de Bouro – Gerês)

No Cantinho do Antigamente, em Covide, também se faz trabalho na preparação da farinha e de boa broa caseira. Desde as maçarocas, batendo o milho, até à mesa, as broas preparam-se quentinhas e boas. Cada participante ajuda desde o início, participando activamente. Cada pessoa vai ao moinho de água no local, arranjado e a funcionar com todo o ritmo, com o seu saquinho pronto a colocar a farinha. “Rrrrrr…Rrrrrr….Rrrrrr” roda a mó, alimentada pela levada de água que vem dos montes. Sente-se nas mãos a farinha, fria e muito fina, enchendo-se o saco. Volta-se à cozinha, onde a simpatia das cozinheiras amassa a mistura com as suas fortes mãos. O forno já está quente, para depois de uns 20 minutos saírem broas belíssimas com presunto por cima. Uhm…e uma sopinha?

CAUSA: divulgar os processos tradicionais de preparação do pão, tomando contacto com as ferramentas, moinhos de água e estruturas da zona; incentivar a manutenção dos moinhos, fornos e dos processos de fabrico tradicionais na zona; registo fotográfico das estruturas, pessoas e trabalhos ligados ao ciclo do pão.

A Povoação de Campo do Gerês (Terras de Bouro – Gerês)

Campo do Gerês, localmente conhecida por “Campo”, é a povoação imediatamente vizinha da barragem de Vilarinho das Furnas. Tem solenes vistas para a Serra Amarela, para o maciço de Pé de Cabril, encabeçado pelas grandes paredes de rocha do Sarilhão, assim como para a Calcedónia e os colos da Junceda. Ao chegar, há uma boa zona de linhas de água transparente, com bosques de carvalho negral e de singelas bétulas, depois de passar o excelente Museu das Portas do Parque Nacional da Peneda-Gerês. A povoação terá uns 200 habitantes, mas diríamos que muitos não vivem a tempo inteiro na povoação. Há muitas casas arranjadas e outras a pedir arranjo. Muitas à venda. Descobrimos três cafés e uma mercearia. Os seu habitantes trabalham na agricultura, vendo-se o fruto do seu trabalho nas terras cuidadas das redondezas. Há também muitas empresas com dinâmica especial na zona, na área do Turismo e Actividades de Ar Livre, com cavalos, escalada, procura de cogumelos ou passeios pelos montes. As suas gentes mostram uma dinâmica física e espiritual que nos parece invulgar e positiva.

CAUSA: divulgar as várias facetas de uma aldeia serrana actual, nas suas componentes arquitectónicas, sociais e humanas, com os seus problemas e também as suas soluções; incentivar o comércio local, com circulação de visitantes interessados na povoação e nas suas gentes; registo fotográfico de pontos de interesse arquitectónico, social e humano.

As Ruínas Submersas de Vilarinho da Furna (Terras de Bouro – Gerês)

Vilarinho da Furna foi uma aldeia importante na história da segunda metade do século XX, no norte de Portugal, com a sua população forte. Contra o regime de Salazar foi um bastião social e politicamente importante, tendo sido exemplo da luta das gentes e da participação comunitariamente organizada. A defesa da população contra a construção da barragem, que obrigou ao desalojar da aldeia em 1971, é localmente dita ter sido exasperante contra o regime de então. De facto, diz-se que nem tecnicamente as linhas de água naturais justificariam uma barragem, tendo o governo prosseguido a construção para constituir a destruição da força política da aldeia. Nos dias de hoje, as suas ruas, ruínas de casas, muros e esqueletos de árvores emergem quando a barragem está baixa. Quase se pode imaginar as eiras, que estão nas memórias vivas de muitos habitantes da aldeia de Campo do Gerês. Também impressiona ver, acima da zona de casas, os vestígios do trabalho nas antigas leiras e os enormes carvalhos que observaram tudo, ficando salvos acima da água. Para aprender mais sobre Vilarinho da Furna, consideramos que o Museu do Parque, na entrada de Campo do Gerês, é obrigatório. As fotografias, os textos e o modo como a exposição está formada parecem-nos excelentes!

CAUSA: divulgar a aldeia de Vilarinho da Furna, pelo seu passado e presente; incentivar a visitação e observação do local; registo fotográfico de pontos de interesse arquitectónico, social, humano e mesmo paisagístico da zona.

A Mata de Albergaria (Terras de Bouro – Gerês)

Bela floresta, belas paragens, bons ares e puras águas! Excelentes cores, em qualquer estação do ano. A “nossa”, entenda-se da Humanidade, Mata de Albergaria é um jóia da natureza dentro da joia que é a Zona do Gerês. Mas temos que a cuidar e respeitar, para assim se manter ou melhorar. É uma zona em que a circulação automóvel, ao contrário de outras zonas do género no mundo, é permitida sem restrições. Há, de facto, muitos sinais a proibir a paragem e estacionamento na zona, mas não há fiscalização suficiente. São muitas as pessoas que se entusiasmam com as belezas da Mata, mas não para caminhar por ela, mas para “usar e deitar fora”, tal como fazem com o seu lixo… Os carvalhos de vários tipos, as faias, os abetos, os cedros, o Feto do Gerês, e muito mais contribuem para uma diversidade de vida incrível. O Rio Homem explode com a sua força, por entre os penedos. Acima, no leito do rio está um dos vales glaciares mais impressionantes de Portugal. Para outros lados, vêem-se grandes escarpas e cumes. Há que ir a pé, cruzando as pontes, sentindo bem o chão e usando todos os sentidos!

CAUSA: divulgar a unicidade da Mata de Albergaria, na sua diversidade e fragilidade; incentivar a visitação e observação do local, respeitando na totalidade o meio; fomentar a relação entre visitantes e a gestão do Parque Nacional, numa relação de conhecimento, informação e de respeito mútuos; registo fotográfico da natureza e paisagem da zona.

Desfolhada do Milho e Magusto, em Covide (Terras de Bouro – Gerês)

O milho da zona, de sementes nativas, puras e antigas, cresce até Novembro. O sol e a secura de São Martinho garantem ser boa altura para se fazer a desfolhada, separando as maçarocas da palha. As maçarocas vão para o espigueiro e a palha é preparada para as vacas. Reúnem-se várias pessoas, familiares ou amigos, com música ao sol quente do dia. Os homens tocam acordeão ou tambor. As mulheres cantam com letras divertidas. Há sorrisos e trabalho. Outros observam o corrupio. No final, limpa-se a eira. Há castanhas assadas, saborosas e quentes. Há água e não só! São prémios que as árvores e a vinha trouxe ao vale, depois do ano terminado. Fala-se da vida, das coisas fáceis e das coisas difíceis. Cai o frio da noite, aparecendo Vénus no meio do azul frio de Inverno. Sem milho não há este dia e sem este dia não há milho. Sem estas gentes não há nada.

CAUSA: divulgar os hábitos e actividades tradicionais agrícolas da zona, a sua envolvente cultural e social forte; intercâmbio de experiências de vida diferentes, com a comunicação directa entre visitantes e pessoas do local; retorno ao contacto com estas actividades, muitas vezes esquecidas na infância da população mais urbana; fomento do crescimento do turismo sustentado na zona; registo fotográfico das particularidades culturais e sociais locais.

Nota: Estes textos reflectem unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.

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