Terras do Vidro

A Arte do Vidro Soprado Manual (Moita e Marinha Grande)

O trabalho manual do vidro é uma absoluta arte, seja em Murano ou na Marinha Grande. Se na ponta de uma cana soprada está o vidro a várias centenas de graus, quase líquido e que se quer moldar e trabalhar como se com as mãos se pudesse, no espírito e no olho de quem o é capaz de fazer está um conhecimento e

uma criatividade invulgares e únicas. Ao longo das recentes décadas, o número destes trabalhadores do vidro tem diminuído, mas a força de quem o ainda faz e divulga é contagiante. Há o ritmo com que os trabalhadores se vão gerindo e alternando nos afazeres entre fornos e outras máquinas. Vês as rugas dos mais velhos, que te recebem com um sorriso, ou as peles brilhantes dos mais novos, que vão ouvindo música enquanto lhes passam centenas de peças pelas mãos. Há o calor que sentes vindo dos fornos. Dentro do forno vês o vidro, líquido como se de mel de tratasse. E, uma vez atrás de outra, as canas vão pescando vidro, para os pulmões e os braços de um artista o moldarem de forma única.

CAUSA: divulgar e fomentar o trabalho manual do vidro, assim como a formação para o aprender a fazer; protecção da arte do vidro e do vidro da Marinha Grande, localmente e no Mundo; contacto directo com estas actividades e com as pessoas desse contexto, humanizando-o; registo fotográfico das particularidades artísticas e sociais locais.

A Protecção dos Barcos e da Costa (São Pedro de Moel)

O Sol vai baixando e, no final de todos os dias, dentro do farol do Penedo da Saudade, o faroleiro sobe até ao topo para despir as lentes das cortinas protectoras. O farol fica preparado para cumprir a sua missão honrosa e necessária de há já tantos anos – identificar-se perante os barcos no mar, avisar da proximidade de terra e ajudar na sua localização. Também tem lentes que ajudam no guiar dos aviões! São lentes de cristal, sensíveis, trabalhadas e colocadas com ciência. São metais acobreados e luzidios, bem cuidados, à volta das potentes lâmpadas. No topo de inúmeros degraus em espiral, que parece que te levam a um mundo mágico, há uma máquina importante que salva vidas. Todos os dias, a Marinha Portuguesa vai vigiando as ondas e iluminando-as.

CAUSA: mostrar e divulgar a arquitectura, o funcionamento e a importância vital de um farol; contactar directamente com o trabalho, as responsabilidade e o contexto, humanizando-o; registo fotográfico da estética única que desde o fundo das escadas até ao topo do farol invade as vistas.

A História de uma Floresta (Ribeira de Moel)

A Ribeira de Moel cruza quase à largura, o grande Pinhal de Leiria. Forma, nas zonas de vales mais cavados e recônditos, zonas de microclima onde há árvores cuja história é diversificada. Nas zonas que são mais apreciadas e invadidas pelas multidões, com excelentes sombras e zonas amplas para todos brincarem ou saborearem, curiosamente são os exemplares da infestante mais famosa que é a Acácia que mais se vêem. Estes exemplares adultos protegem o chão da luz e previnem o germinar violento de mais acácias. Mas no meio dos gigantes eucaliptos e as já velhas acácias, há exemplares de valentes loureiros e de inúmeras variedades de grandes carvalhos. Formam um contexto que protege a zona e a vida da invasão das areias. Se é um tornado, as próprias acácias, o lixo das pessoas ou a poluição na Ribeira, este bocadinho de floresta com muita história exige manutenção, protecção, assim como visitas respeitosas. Na Ribeira de Moel há muita História na floresta, com vestígios da Era Glaciar até aos dos nossos dias.

CAUSA: comunicar a História da Floresta; exemplificar como, mesmo com espécies exóticas, a floresta também pode ser agradável, sustentável, diversificada e até protegida, se acompanhada; registar fotograficamente as cores, as sombras e contrastes abaixo das copas, assim como o elemento água.

O Pinhal de Leiria (Marinha Grande, Leiria, e Alcobaça)

Se foi na Escola que se ouviu falar pela primeira vez no famoso Pinhal de Leiria, a Mata Nacional de Leiria, mais real e antigo é o trabalho e a gestão a que milhares de hectares obrigam. Pela rentabilidade que a madeira de pinho envolve, mesmo com os perigos dos fogos e no nemátodo, no local vê-se como a gestão dos talhões é fruto de uma máquina oleada. Em zonas distintas, podemos ver pinheiros da idade dos nossos pais, dos avós, ou das nossas crianças. Ou então, já poderemos contar os anéis daqueles que foram recentemente cortados. Tudo nos dá noção da passagem do tempo, da vida e da morte, assim como da pequena escala temporal que a nossa vida tem em relação àquele ser vivo que é o todo, o grande e exigente Pinhal de Leiria.

CAUSA: levar olhares e mentes atentas a um ex-líbris da floresta portuguesa, mesmo que introduzida e gerida pelo Homem; fomentar o acesso saudável às zonas de floresta; mostrar como a gestão do Pinhal é feita; registar fotograficamente as cores, as sombras, as suas geometrias e texturas abaixo das copas.

Nota: Estes textos reflectem unicamente a visão/opinião subjectiva e pessoal dos fotógrafos responsáveis pelos Workshops, justificando porque a consideraram como “causa”.

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